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17% dos profissionais afirmam ter sofrido ou presenciado assédio em 2025

Postado em 20 de Fevereiro de 2026 Notícias de Gestão

Censo de Saúde Mental Vittude coletou respostas de mais de 174 mil pessoas e mostra também que 45% atuam em ambientes de insegurança psicológica.

 

A Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, acabou de lençar o Censo de Saúde Mental 2025, um retrato da saúde mental e dos riscos psicossociais nas organizações brasileiras. O Censo de Saúde Mental da Vittude aborda temas como sofrimento psíquico, assédio, burnout e riscos psicossociais, buscando entender como esses índices moldam a realidade do trabalho no país. O estudo ouviu 174 mil trabalhadores, de 35 grandes empresas brasileiras, abrangendo diferentes funções, níveis hierárquicos e contextos organizacionais.

 

De acordo com a pesquisa, 17% dos colaboradores sofreram ou presenciaram situações de assédio no ambiente de trabalho. Desses, 72% foram casos de assédio moral e 28% por assédio sexual.

 

É importante destacar ainda que o assédio costuma ser um fenômeno subnotificado, e a prevalência real tende a ser ainda maior do que os números mostram.

 

"É quando percebemos a dimensão da cultura do silêncio que permeia esses casos. Entre 78% e 84% das pessoas que presenciaram ou sofreram assédio optaram por não denunciar, e esse número, por si só, revela um risco psicossocial profundo" afirma Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude. "O silêncio não nasce apenas do medo, mas também da descrença na efetividade dos canais de denúncia, da percepção de fragilidade institucional, da normalização de comportamentos abusivos e da inexistência de uma segurança psicológica mínima que permite às pessoas se posicionarem sem receio de retaliação".

 

Para sintetizar os resultados, o Censo utiliza um indicador próprio, chamado de Índice Vittude de Saúde Mental. Ele consolida fatores de risco psicossocial, indicadores de saúde mental dos indivíduos e métricas de impacto no negócio em um único número. Sofrimento psíquico, burnout, segurança psicológica, ergonomia cognitiva, percepção de assédio, presenteísmo, tudo é levado em conta na hora de atribuir uma nota.

 

A escala de interpretação possui 4 níveis: Zona crítica (0-65); Zona de atenção (66-75); Zona de aperfeiçoamento (76-85); e Zona de excelência (86-100). Em 2025, o IVSM médio das empresas participantes foi de 74, posicionando o conjunto avaliado na zona de atenção,e representando uma leve piora em relação a 2024, quando o valor foi 76.

 

Ergonomia cognitiva em 2025

 

Outro ponto de destaque é a avaliação da ergonomia cognitiva. Ela se baseia em dois modelos clássicos da psicologia do trabalho para analisar a relação entre demanda e autonomia, bem como entre esforço e recompensa no trabalho. Em uma escala que varia de -1 (crítico) a +1 (excelente), o índice agregado foi de 0,13.

 

Do ponto de vista teórico, esse resultado é considerado positivo. Ele indica que há um equilíbrio funcional entre as demandas do trabalho e os níveis de autonomia, assim como entre o esforço despendido e a percepção de recompensa. Mesmo assim, ele deixa claro que existem oportunidades relevantes de melhoria, principalmente nos fatores que mais influenciam a experiência cotidiana de trabalho.

 

Segundo Tatiana, o destaque especial vai para ações voltadas à gestão da demanda, com foco na redução de sobrecargas, e ao fortalecimento do controle, ampliando a autonomia para negociação de prazos, definição de prioridades e maior liberdade na decisão sobre como e quando executar as tarefas.

 

Segurança psicológica em 2025

 

O Censo deixa evidente que a segurança psicológica é o indicador que mais se relaciona com os demais fatores de saúde mental - sendo assim, ele se torna um elemento central para a eficácia de uma organização.

 

Os dados mostram uma evidência consistente: ambientes com alta segurança psicológica apresentam níveis praticamente inexistentes de burnout, mas, principalmente, maior capacidade de inovação, aprendizado e evolução contínua, uma vez que as pessoas se sentem seguras para propor ideias, questionar decisões, oferecer feedbacks francos e sinalizar riscos ou erros.

 

O índice médio de segurança psicológica foi de 67, o que fica dentro da zona de atenção. A distribuição revela que 45% das pessoas atuam em ambientes de baixa segurança psicológica. Esse contexto não se traduz apenas em risco psicossocial, mas em um impacto direto e negativo no negócio, ao inibir a troca aberta, reduzir a qualidade das decisões, enfraquecer a colaboração entre equipes e limitar a capacidade da organização de inovar e se adaptar em cenários de mudança, afirma Tatiana.

 

Presenteísmo em 2025

 

O presenteísmo, quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas com capacidade reduzida de executar suas atividades devido a sintomas físicos, emocionais ou cognitivos, também chamou atenção: o índice foi de 32%.

 

Do ponto de vista financeiro, isso revela que as empresas desperdiçam, em média, 32% da folha de pagamento em capacidade produtiva não utilizada. Ou seja, para cada R$ 100 investidos em salários, R$ 32 deixam de retornar em forma de trabalho efetivamente realizado, um impacto silencioso, porém profundo, na eficiência operacional.

 

Para a CEO da Vittude, os achados reforçam a necessidade de tratar a saúde mental como prioridade estratégica. "Observamos que o problema não é individual, é estrutural. Ao consolidar essas informações no Censo, buscamos oferecer ao mercado mais do que estatísticas. Entregamos um instrumento prevencionista, alinhado aos requisitos da NR-1, que permite às organizações identificar pontos críticos, orientar medidas de controle e estruturar programas realmente efetivos de promoção da saúde mental. É um chamado à ação, fundamentado em números, para que líderes compreendam o impacto de suas decisões e adotem práticas que protejam as pessoas e fortaleçam seus negócios", completa.

 

Fontes:

Reportagem: Você S/A

Imagem: Pexels